Foto: Rian Lacerda (Diário)
Pedras soltas e pontudas colocadas para tapar buracos na Estrada Eduardo Duarte, nos fundos da Vila Maringá, em Santa Maria, causam prejuízos a veículos e dificultam a circulação de motoristas.
Quem passa pela Estrada Eduardo Duarte, nos fundos da Vila Maringá, localizada no Bairro Diácono João Luiz Pozzobon, em Santa Maria, encontra um cenário que mistura tentativas de melhoria – diante de problemas de infraestrutura – com descartes irregulares. O que deveria ser uma solução virou dor de cabeça para motoristas. Isso porque pedras colocadas na via para tentar amenizar os diversos buracos acabam causando prejuízos em veículos. Se não bastasse os problemas com as condições da via, o local funciona como ponto de descarte de animais mortos, lixo e queima de fios para venda de cobre.
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Moradores pedem por melhorias na região
O trecho recebeu material recentemente para tapar buracos, além de máquinas que fizeram melhorias na via, mas o serviço não foi finalizado como os moradores gostariam. No primeiro ponto após a Vila Maringá, as condições estão boas. Cerca de um quilômetro à frente, começam os problemas em função das pedras, que são grandes, por vezes pontiagudas, e que acabam forçando o motorista a fazer desvios ou até mesmo danificando o pneu. Em comparação com meses atrás, a situação melhorou, mas, de acordo com moradores, ainda faltam atenção na localidade e a finalização dos trabalhos, como abertura de valetas para escoar a água da chuva e a compactação das pedras.
Durante a visita do Diário ao local, um morador teve prejuízo após ter o carro avariado. O motorista, que não quis se identificar, explica que o problema foi em função das condições da estrada.
Samuel Coronel Amorim, aposentado de 66 anos que vive no local há sete, presencia a rotina de quem tenta transitar por ali. Ele conta que a falta de canais para a água correr faz com que o serviço dure pouco. Quando a patrola passa pela estrada, é comum que faça a abertura de valas para que a água não represe e prejudique a via. O que não foi feito.
– Eles vêm aqui, largam a pedra e dão uma passadinha. Quem acaba socando as pedras somos nós, moradores. Como não fazem o envalentonamento, a água não escorre, vem para cima e levanta o nível. É impossível passar com carro pequeno – relata Samuel.
O morador aponta que os vizinhos acumulam gastos com oficinas mecânicas.
– O vizinho trocou a peça do carro na segunda-feira e já deu problema, quebrou a homocinética. Vai gastar mais do que mandar arrumar, tem que refazer e ficar quieto. Nós paramos os nossos carros e tiramos essas pedras enormes para fora porque a prefeitura veio aqui e largou pedra de qualquer jeito – desabafa.
Descarte e abandono de animais
Além das condições da pista, a estrada virou um ponto recorrente de descarte. Por ficar em um ponto afastado da cidade, mas ainda assim próximo de bairros da Região Leste, é comum encontrar lixo espalhado ou entulhado, que vai desde roupas velhas até restos de construção e móveis. Um problema frequente é a queima de fios para a retirada de cobre, prática que deixa manchas de cinzas e plástico derretido no chão, como verificado na manhã de quarta-feira.
Na quarta, duas cadelas foram vistas no local onde havia descarte de lixo, uma delas apresentava cegueira, e a outra sob suspeita de estar prenha. As duas estavam sendo alimentadas por moradores e um projeto da cidade. Na manhã desta quinta-feira (5), as duas foram socorridas por dois projetos da cidade e encaminhadas para atendimento veterinário e, posteriormente, para adoção voluntária. De acordo com moradores, a situação é recorrente.
Amorim conta que a presença de cães deixados à própria sorte é diária, e que a comunidade tenta ajudar como pode.
– O pessoal larga bicho morto e animais vivos. Nós temos que alimentar, pois ficamos com dó – diz.
Problema antigo

A situação da Estrada Eduardo Duarte é acompanhada pela reportagem há meses. Em outubro de 2025, o Diário mostrou que moradores conviviam com buracos e barro, que dificultavam o deslocamento em dias de chuva e sol. Na época, a prefeitura informou que faria a manutenção.
Em dezembro, duas pontes que estavam em situações precárias foram recuperadas, mas o solo da estrada seguia cedendo com as chuvas e o tráfego pesado, formando ondulações que limitam a velocidade dos carros a 20 km/h.
Há dois anos, o Diário mostrou as condições da estrada que já apresentavam precariedades. Como mostra a reportagem abaixo:
A reportagem entrou em contato com a secretaria responsável na prefeitura de Santa Maria para questionar sobre a finalização da compactação das pedras e as medidas para coibir o lixo, e aguarda retorno.